terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Naufrágio


Embora tenha nome de mulher,
corpo e cheiro de mulher
e os trejeitos e perigos
permitam supor que se trate de uma,
é mais que mulher...
É mar revolto, na verdade,
essa menina à minha frente.

Pudesse eu ser promontório,
avançaria seco ao seu encontro
e mergulharia em seus domínios,
apreendendo-lhe medos e mistérios.

Fosse-me vedado tocá-la,
contentar-me-ia em ser farol,
para, ao menos, contemplá-la à distância,
velando-lhe o sono,
protegendo-a de velhos marinheiros.

Contudo, ao fitar tanta beleza,
que mais posso querer ser,
senão nauta atrevido,
para poder passear por suas águas,
entregar-me a seus movimentos noturnos,
naufragar em meio aos seu recifes,
enroscar-me em seus sargaços
e amanhecer feliz e inerte em sua costa nua!

Wedmo Mangueira

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ausência

Hei de edificar a vasta vida
que mesmo agora é teu espelho:
toda manhã hei de reconstruí-la.
Desde de que te afastaste,
tantos lugares se tornaram inúteis
e sem sentido, como
luzes no dia.
Tardes que foram nicho de tua imagem,
músicas em que sempre me esperavas,
palavras daquele tempo,
eu terei de quebrá-las com minhas mãos.
Em que profundezas esconderei minha alma
para que não enxergue tua ausência
que como um sol terrível, sem ocaso,
brilha definitiva e impiedosa?
Tua ausência me cerca
como a corda o pescoço.
O mar em que naufraga.

BORGES, Jorge Luis. Primeira poesia. Trad. de Josely Vianna Baptista. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Trecho de um dos contos mais bonitos que já li


Não tiveram que limpar seu rosto para perceber que era um morto estranho. O povoado tinha apenas umas vinte casas de tábuas, com pátios de pedra sem flores, dispersas no fim de um cabo desértico. A terra era tão escassa que as mães andavam sempre com medo de que o vento levasse os meninos, e os poucos mortos que os anos iam causando tinham que atirar das escarpas. Mas o mar era manso e pródigo, e todos os homens cabiam em sete botes. Assim, quando encontraram o afogado, bastou-lhes olhar uns aos outros para perceber que nenhum faltava.

Gabriel García Márquez, O afogado mais bonito do mundo


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Imagem: Foto de Ponta dos Mangues por Thatidye

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Desencontro

Você deve estar agora
andando por Copacabana,
chorando no chão da sala
ou desistindo de um livro chato.
Quisera eu estar agora
inteira sob teus quadris.
E estou – enquanto febres
atravessam-me enorme
e deslizo entre dedos e
mercúrio e memória
e a tua boca,
a tua boca.

Laura Assis

sábado, 27 de novembro de 2010

Choro bandido


"Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
"

(Chico Buarque/Edu Lobo)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tira as mãos de mim

Ele era mil
Tu és nenhum
Na guerra és vil
Na cama és mocho
Tira as mãos de mim
Põe as mãos em mim
E vê se o fogo dele
Guardado em mim
Te incendeia um pouco

Éramos nós
Estreitos nós
Enquanto tu
És laço frouxo
Tira as mãos de mim
Põe as mãos em mim
E vê se a febre dele
Guardada em mim
Te contagia um pouco

Chico Buarque

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Os olhos


"se um gesto me definisse seria o de te afastar o cabelo para te ver melhor o rosto que me enche de bravura

e só te vejo pelos meus olhos por serem os que te vêem mais bela
por isso os escolho sempre
tenho os olhos feitos à medida da tua cara
e só tenho olhos para ti
quando não estás sou invisível e quase invisual
a visão não me serve de nada
vejo mas sem cor e é pior que a preto e branco
é desfocado
é esbatido
e sem chama
e sem cheiro
contigo cheira bem
sabe bem
ouve bem o que digo porque é sincero porque se não fosse todo eu era falso
cada falso que há aí merecia cadeia ou morte
mas com os teus braços finos a fazer as vezes da corda que me serpenteia o pescoço para me matar de felicidade

e só te quero a ti
e só te vejo a ti como a última noite do Verão mais quente
com o céu mais estrelado
com a lua mais cúmplice
com os gestos mais carinhosos
e tiro-te o cabelo da frente com a ajuda da minha mão direita que só existe para isso
e vou para te beijar mas não o faço
hesito porque os meus olhos pediram-me que os deixasse olhar para ti mais uma vez
e eu deixo para eles não chorarem muito"

João Negreiros

sábado, 9 de outubro de 2010

Correnteza

Primeiro lugar no II Prêmio de Poesia Popular João Sapateiro, que tinha por tema: "Os 150 anos de João Ribeiro".

Quem diria que algum dia,
numa terra situada
entre morros e colinas,
entre vales e baixadas,
um menino nasceria
e teria a poesia
como rota, como estrada.

Tinha nome de riacho
- se chamava João Ribeiro.
Foi, talvez, devido a isso
que, na vida, o seu roteiro
sempre foi seguir em frente,
feito um fio de água corrente
indo a outro paradeiro.

Sua terra de nascença,
que o acolheu tão bem,
é a bela Laranjeiras
do profano e do amém,
do poeta Sapateiro,
que, a exemplo de Ribeiro,
se chamava João também.

Eis, então, que a mesma terra
que lhe foi berço e morada
teve de assistir um dia,
de maneira inesperada,
à partida do menino,
que, seguindo seu destino,
começava sua jornada.

Se lançou no Cotinguiba
e rumou pra capital,
concluindo no Ateneu
todo o seu ginasial.
Logo após foi pra Bahia,
onde, em pouco tempo, iria
procurar outro local.

Desistindo de cursar
medicina em Salvador,
foi pro Rio de Janeiro
e por lá se dedicou
com afinco ao jornalismo
e mostrou seu brilhantismo
também sendo professor.

Lançou obras importantes,
tidas como geniais.
Foi, por isso mesmo, eleito
pra ser um dos imortais,
figurando bem ao lado
de Romero, de Machado,
de Nabuco e outros mais.

Mas a imortalidade
que lhe foi atribuída,
incapaz foi de impedir
que lhe abandonasse a vida
e que sua trajetória
recheada de vitórias
fosse, um dia, interrompida.

Quando o seu corpo cansado
foi de encontro ao leito frio,
seu destino de ribeiro
fatalmente se cumpriu:
afastou-se da nascente
e, tal qual um afluente,
foi morrer em outro Rio.

O seu canto, entretanto,
não perecerá jamais.
Passa o rio, mas não passa
a beleza que ele traz.
Mesmo após ele partir,
poderemos sempre ouvir
os seus versos imortais.

Wedmo Mangueira – 06/09/2010


Link da matéria sobre a entrega da premiação: http://www.laranjeiras.se.gov.br/ler.asp?id=135&titulo=noticias

Confira aqui os outros poemas vencedores: http://www.laranjeiras.se.gov.br/ler.asp?id=136&titulo=noticias

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Equitação

Velo a sombra
que a tarde revela;
e um crepitar de chama
me chama
para a tua sela
- égua branca
no prado da cama.

Nuno Júdice

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O guarda-vidas

Olhos postos no mar, que a sua lida
é mirar o infinito mar afora...
Olhos postos no mar, que o mar convida,
mas, esfinge que é, também devora.

Quando o mira da areia, o guarda-vidas,
um duelo é travado nessa hora:
de um lado, a coragem destemida;
do outro lado, a grandeza que apavora.

No duelo com o mar, esse homem forte,
de onde as ondas rebentam, vai além...
Mas injusta, decerto, é sua sorte:

mesmo que inda resgate oitenta ou cem,
lá no fundo, ao perder alguém pra Morte,
ele sente algo em si morrer também!

Wedmo Mangueira - 10/08/2010
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Imagem: 1º Sgt Sinério

segunda-feira, 29 de março de 2010

Entre-lugar


Aurora,
está decidido!
Era teu ventre,
mas agora,
é teu entre-
pernas meu entre-
lugar preferido.

Wedmo Mangueira - 03/11/2009

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sinuosidades

A Shyrley

De silêncio e saudade se arquiteta
essa tarde voraz que me consome.
Tudo tem sempre o "s" do seu nome
quando a mente assim se me inquieta:
desde a réstia de sol que se projeta,
ao perfil sinuoso de algum monte;
desde o arco alongado de uma ponte,
ao esguicho da fonte de água turva.
Por você, nessa tarde, até se curva
toda a reta da linha do horizonte.

Wedmo Mangueira - 30/08/2009

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Palíndromos

"Ana", "Otto", "ovo", "osso", "ala", "radar". O que todas essas palavras, aparentemente desconexas, teriam em comum? Simples, todas elas são palíndromos. Para quem desconhece o termo, palíndromos são palavras ou frases que lidas normalmente, ou seja, da frente para trás, são exatamente iguais quando lidas de trás para diante.

Nossa língua está recheada de vários exemplos, desde os menores, como os citados no início, aos maiores, do qual um dos mais famosos certamente é "Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos". Existem, contudo, palavras e frases que até possuem algum sentido quando lidas de trás para frente, a exemplo de Roma (amor, ao contrário), mas que não são palíndromos.

Na leitura de um palíndromo, acentos e sinais de pontuação não são levados em consideração, ou seja, o que precisa coincidir em ambas as leituras, tanto de frente pra trás, quanto de trás pra frente, é apenas a sequência de letras. Essa precisa ser rigorosamente a mesma, independente do sentido em que se leia.

A dificuldade dessa brincadeira linguística, entretanto, não está em construir essas sequencias de letras. Não. Está em atribuir a essas sequências algum sentido. Dos palíndromos que criei - em tardes
ociosas, obviamente - considero os dois que seguem abaixo como os mais bem-realizados: possuem um tamanho razoável e até algum sentido.
"Al ama namorada romana mala."

"É, namorar é raro, mané."

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Divisão de renda


Juarez adora Inês
pela renda que balança.
Já Inês, por sua vez,
não resiste a Juarez
pela renda da poupança.

Wedmo Mangueira – 27/09/2009

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

NÊNIA

A morte nada foi para ele, pois enquanto vivia não havia a morte e, agora que há, ele já não vive. Não temer a morte tornava-lhe a vida mais leve e o poupava de desejar a imortalidade em vão. Sua vida era infinita, não porque se estendesse indefinidamente no tempo mas porque, como um campo visual, não tinha limite. Tal qual outras coisas preciosas, ela não se media pela extensão mas pela intensidade. Louvemos e contemos no número dos felizes os que bem empregaram o parco tempo que a sorte lhes emprestou. Bom não é viver, mas viver bem. Ele viu a luz do dia, teve amigos, trabalhou, amou e floresceu. Às vezes anuviava-se o seu brilho. Às vezes era radiante. Quem pergunta quanto tempo viveu? Viveu e ilumina nossa memória.


De: CICERO, Antonio. A cidade e os livros. Rio de Janeiro: Record, 2002, p.57.

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Dedico as belas e oportunas palavras de Antonio Cicero ao meu avô, de quem herdei o nome, que faleceu há pouco.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pontos de Vista

Primeiro lugar no I Concurso Literário Louis Braille, que tinha por tema:
A contribuição do sistema Braille para a conquista da cidadania.”

Nos permite esse sistema
dar relevo à poesia
pra tocarmos o poema
e ele nos tocar um dia.

Clareando a escuridão,
que insiste em ser voraz,
esses pontos simples são
como pontos cardeais.

Mais do que pontos ao léu,
esses pontos no papel
representam a conquista

da nossa cidadania.
Esses pontos, quem diria,
são, no fim, pontos de vista.

Wedmo Mangueira - 23/10/2009


sábado, 21 de novembro de 2009

Lagoa do Bonfim


Lagoa do Bonfim - Nísia Floresta (RN)

À visão da lagoa quieta
uma paz de superfície desabrocha
que a lagoa repousa,
profunda.
As águas conservando
nas entranhas um último segredo
de afogados,

prematuros desesperos
de afogados,
silenciosas tragédias
de afogados.

Tardias horas:
o repouso da lagoa se embrutece
e as maretas conversam,

e as andanças dos ventos da lagoa
decifram pensamentos e segredos
de afogados.

Falanges de fantasmas suicidas
dispersam o súbito murmúrio da lagoa
que é o seu próprio mistério.

Novamente a tranqüila,
novamente a transparente face da lagoa
se mostra:
e dos mortos aquáticos
o segredo permanece
puro.

Zila Mamede


Zila Mamede (1928-1985): Poeta potiguar cuja obra se destaca pelas imagens ligadas às águas: mares, rios e lagos inundam a sua poesia. Irônica e misteriosamente, morreu afogada aos 57 anos de idade, enquanto nadava no Rio Potengi.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

I Prêmio de Poesia Popular João Sapateiro

O primeiro (e por enquanto único) prêmio literário que conquistei leva, merecidamente, o nome de um dos maiores poetas populares de Sergipe: João Silva Franco, mais conhecido como João Sapateiro. João adquiriu esse nome devido à atividade de sapateiro, profissão que desempenhou durante muito tempo. O poeta nasceu e viveu boa parte da juventude na cidade de Riachuelo. Na adolescência, teve rápida passagem por Aracaju, mudando-se, logo depois, para o município de Laranjeiras. Antes de ser sapateiro, trabalhou em engenho de açúcar na infância e virou engraxate em sua passagem por Aracaju. Mas foi o município de Laranjeiras que o acolheu até a data de sua morte, com quase 90 anos da idade, no dia 9 de setembro de 2008. Abaixo, o poema, com o qual conquistei o segundo lugar: um martelo agalopado de tom claramente metalinguístico que exalta a beleza e a dificuldade desse gênero de poesia popular, a "pedra no sapato" dos fracos repentistas.

Martelando na peleja

Segundo lugar no Prêmio de Poesia Popular João Sapateiro

Cantador nordestino, num martelo,
sobre assunto qualquer faz improviso.
Para tudo que existe, se preciso,
cria sempre algum verso tão belo.
Quando empunha a viola num duelo
contra algum oponente não fraqueja.
O seu canto é cutelo que verseja
desferindo o cruel mote amolado.
Cantador de martelo agalopado
martelando oponentes na peleja.

Um martelo bem feito é mais que prece
na viola afinada do repente.
Se ajoelha depressa o oponente
quando escuta o martelo que merece,
tão potente que, às vezes, se parece
com trovão no sertão quando troveja,
com serpente no chão quando rasteja,
ou bezerro no berro malcriado.
Cantador de martelo agalopado
martelando oponentes na peleja.

Cantador nordestino noite afora,
carregando a viola, não tem medo,
caminhando sozinho no lajedo,
se brincar, faz tremer até caipora.
Nego d'água até mesmo se descora
quando escuta a cantiga sertaneja
e o saci, assustado, saculeja
com a força do seu palavreado.
Cantador de martelo agalopado
martelando oponentes na peleja.

Se a palavra sozinha é perigosa,
mais cortante que lâmina afiada,
imagine a palavra recitada
num martelo certeiro em mote e glosa.
Some a isso a garganta poderosa,
que em duelo nem mesmo pestaneja,
pois duelo é somente o que deseja,
e teremos, portanto, um arretado
cantador de martelo agalopado
martelando oponentes na peleja.

Wedmo Mangueira

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Aniversário do Rio Sergipe

Hoje, 3 de novembro, é o aniversário de um dos nossos rios mais importantes, tanto que leva o nome do Estado: o Rio Sergipe. A data me vem à cabeça, não porque tenha uma boa memória, muito menos uma agenda, mas porque me sinto envolvido com ela de alguma forma. Refiro-me à música, em homenagem ao Rio Sergipe, que fiz com meu parceiro Heitor Mendonça a pedido de Osmário, jornalista que encampa uma campanha em prol da revitalização desse rio. Paisagem híbrida, a um só tempo bonita e imunda, cenário de alegrias e tristezas, decidimos que a música deveria retratar essa ambigüidade latente do rio, por isso, com ajuda de Heitor, construí a letra em cima de algumas ambigüidades, entre elas, a que se verifica entre uma conjugação do verbo “rir” e o substantivo “rio”. Heitor, para completar a obra, acrescentou à letra uma música serena, que sugere uma sensação de fluxo contínuo, uma idéia de correnteza. Abaixo segue o vídeo da canção, interpretada por Heitor Mendonça e pelo maestro Muskito, que abriam o show de Renato Teixeira.




Rio para não chorar

Rio do menino que brinca,
rio da menina que chora,
do homem que virou peixe,
rio daquela senhora

que passa a vida a esperar
a volta de um pescador
que se encantou com o mar
e nunca mais retornou.

Rio das águas serenas,
leva suas penas
pra outro lugar.

Rio das águas serenas,
leva suas penas
pro meio do mar.

Rio da poluição
que manchou toda a paisagem.
Quem dera a devastação
fosse somente miragem.

Rio, tu que foste tão forte,
hoje vive a agonizar,
rio em seu leito de morte,
rio para não chorar.

(Heitor Mendonça e Wedmo Mangueira)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Heliotropia


A Shyrley

Eu, que a chamava
por botão de rosa branca,
de brancura pura e franca,
sinto ser inadequado
o apelido que lhe pus.

Sua claridade
é de outra natureza:
traz em si, como que presa,
a leveza delicada
de um branco quase-luz.

Eu que sou a rosa
– maltratada e virulenta,
menos branca, mais magenta –
e vem dela toda a força
que me nutre e me conduz.

Wedmo Mangueira – 24/09/2008